A pequena que provoca medo. Os ataques contra Tábata Amaral

Posted on 10 de fevereiro de 2019 por

8



Deputada Tábata Amaral. Fonte Internet


Tomei conhecimento da trajetória de Tábata Amaral pela internet, bem antes das eleições, e gostei. Durante a campanha eleitoral tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. E questioná-la sobre suas posições e intenções, tendo, inclusive, pedido para um amigo que adotasse propositadamente um discurso agressivo, para ver como ela se sairia. Saiu-se muito bem. Tão bem que decidi não somente votar nela, mas prestar-lhe meu apoio público.
Talvez você ache que pedir para um amigo ser agressivo com ela tenha sido deselegante e desnecessário. Mas eu pensei que, tendo em vista para onde ela iria, se eleita, o Congresso Nacional, seria melhor saber como ela se comportaria sob pressão e sob falas agressivas.
Como eu disse, ela saiu-se bem e eu, por minha vez, penso que estava certo naquele “teste”. Eu imaginei que ela incomodaria muita gente e seria alvo de muitos ataques, inclusive agressivos e deselegantes. Eu queria não só ver como ela reagiria, mas também, depois, conversar sobre esse tema com ela, o que fizemos.
Ambas as coisas, o incômodo e os ataques, ocorreram antes mesmo dela ser empossada. No dia 30 de janeiro, Tábata foi com um agente da Câmara dos Deputados ocupar um apartamento funcional que lhe havia sido designado. Um apartamento que lhe é garantido por lei e não é um privilégio, posto que Tábata é de origem humilde e não dispõe de fundos, no momento, para se manter em Brasília, uma cidade cara. Aliás, penso que objetivo dos apartamentos funcionais é exatamente esse, o de garantir aos congressistas pobres condições de residir em Brasília. É algo que visa garantir a democracia, caso contrário, só os ricos seriam congressistas. Existem abusos, claro, mas penso que não é o caso dela.
Ao chegar ao imóvel, Tábata e o funcionário da Câmara o encontraram ocupado pelo filho do deputado Hildo Rocha (MDB-MA). O deputado, por sua vez, ocupava outro imóvel funcional, numa clara irregularidade, onerando o erário público. Pior, deixou seu filho em um dos apartamentos, configurando um provável caso de privilégio escuso.
O deputado Hildo defendeu-se, alegando que o imóvel onde estava seu filho apresentava avarias e, por isso, solicitou outro, que teria sido concedido pela Câmara. Mas, se é o caso, por que o filho dele habitava um imóvel em más condições? Seu filho é pedreiro e fazia reparos? Se é, e fazia tal serviço, então foi algo louvável e altruísta, que poupou recursos públicos, mas se não é e não fazia, então estava lesando a todos nós contribuintes.
O deputado ainda reclamou que Tábata foi aos jornais por algo muito pequeno. Bem, ela não foi aos jornais, mas comentou a situação nas redes sociais. Os jornais foram a ela. Por outro lado, não é “algo pequeno”. É um dos muitos atos de apropriação do que é público pelo interesse privado que temos no Brasil e em Brasília. É a cultura do privilégio que se manifesta em todas as esferas da política nacional. Apartamento por apartamento, há um ex-presidente preso por um imóvel no qual nunca residiu. Se a lei é tão rigorosa com uns, deveria ser também com outros.
Mas, geralmente, entre os políticos tradicionais a lei não é tão rígida. Em circunstâncias “normais”, provavelmente isso seria “resolvido” na surdina, no compadrio. Outro deputado na mesma situação de Tábata talvez se calasse, fosse levado para outro imóvel e tudo ficaria “entre colegas”. Mas Tábata falou e rompeu o “corporativismo”. Tábata incomodou, como eu esperava que fizesse.
O outro ataque foi mais “interessante”. Três membros do MBL, Renan dos Santos, Arthur Del Vall (agora deputado estadual por SP, pelo partido DEM) e Kim Kataguiri (agora deputado federal pelo mesmo DEM), atacaram Tábata por reivindicar o apartamento, afirmando que isso seria um privilégio que ela deveria combater, já que ela elegeu-se com propostas de uma política mais ética. Kim Kataguiri, de fato, abriu mão de seu imóvel funcional e alugou uma casa com seus assessores, o que foi amplamente festejado por seus seguidores e eleitores, além da imprensa.
O que chama a atenção, porém, é o fato destes três não terem feito críticas a Hildo, que realmente estava mantendo uma política de privilégios. Também chama a atenção o fato de que Jair Bolsonaro, presidente que eles ajudaram a eleger, já se beneficiou de ajuda de custo para moradia tendo um apartamento em Brasília, mas nunca foi alvo de críticas por esse fato pelos três citados.
Por que tal parcialidade? O que eles sabem da situação econômica da deputada e da sua família para alegar que ela deveria custear sua moradia por conta própria? Será que é exatamente o fato de alguém precisar destes imóveis, por vir de uma família humilde, que os incomoda?
Mas, falemos de inovação e economia. Tábata e seus colegas do movimento “Acredito”, o senador recém-eleito por Sergipe, Alessandro Vieira e o deputado recém-eleito pelo Espírito Santo, Felipe Rigoni, decidiram fazer um gabinete compartilhado, criando uma estrutura enxuta. Melhor ainda, tal gabinete teve seus assessores escolhidos por concurso público, eliminando a velha prática de contratar-se apadrinhados, amigos e parentes. Com o gabinete compartilhado, o compadrio dá lugar à competência e, ainda mais, calcula-se que haverá uma economia de 20% nos custos de assessores. Para ter-se uma ideia de quanto isso significa, a verba destinada a tal propósito é de R$ 111.675,59 ao mês por deputado. Considerando-se somente os dois deputados, isso significa uma economia de R$ 580.713,00 anuais. Confesso que não pesquisei a verba dos senadores, mas certamente é maior e, portanto, a economia também é maior.
Os “Catões” do MBL estão economizando quanto com o fato de Kataguiri alugar um imóvel com seus assessores? Aliás, tais assessores foram contratados como? E quanto ao Sr. Arthur, “mamãe não falou” quanto ele está economizando. Uma coisa é certa, o custo de um apartamento funcional não deve exceder o valor economizado ao mês por cada um dos deputados do movimento “Acredito”.
Se Tábata está economizando tanto com seus colegas, por que os ataques?
Penso que é porque os “meninos prodígio” do MBL tem medo de Tábata…

Têm medo porque, até onde eu consegui pesquisar, não existem processos cíveis, trabalhistas e até criminais contra ela, o que não é o caso de alguns deles.
Têm medo porque Tábata e o movimento a que ela pertence, o “Acredito”, não se valeram de “fake news” para sua campanha, como foi o caso do MBL, que teve 196 grupos e comunidades banidos de uma rede social por difundirem mentiras, nas quais muita gente acreditou.
Têm medo porque a nova deputada não se fez fotografar ao lado de celebridades para depois colocar a foto nas redes sociais, dizendo que tais celebridades apoiavam suas causas – como fez Kataguiri com Ney Matogrosso em 2015. Medo porque ela buscou a racionalidade e a verdade na sua campanha e nas suas propostas, ao contrário deles que utilizaram qualquer discurso possível, independente da verdade, com o tom de zombaria próprio de alunos que cometem assédio contra outros.
Medo porque Tábata não fugiu à luta e, vinda da pobreza e da periferia, estudou, ganhou prêmios, bolsas de estudo, aprendeu com seus professores e chegou a uma das mais prestigiadas universidades do mundo, ao contrário de Kataguiri que, arrogantemente, declarou saber mais do que os seus professores ainda no primeiro ano de faculdade.
Finalmente e contraditoriamente, eles têm medo de Tábata porque ela tem MÉRITO, e cresceu por conta própria, sem patrocínio de partidos e empresas que “pagaram o pato ou os patos da paulista” e sabe-se lá mais o que. Contraditório esse medo, porque eles falam em meritocracia, mas não a reconhecem nem a respeitam quando a vêem. Aliás, corrijo-me, reconhecem e temem, porque sabem que eles não têm tal mérito e que um dia isso vai ficar claro e a imagem de cada um, construída a custas de histeria, irá por água abaixo.
Tábata é pequena em estatura, mas grande em capacidade e mérito. Ela vai crescer mais, ao contrário de políticos velhos e novos que permanecerão nanicos em ambas as coisas.
Ela é a “pequena que provoca medo” em quem não se prima pela ética que diz defender e não quer de fato uma sociedade justa.
E é por isso que ela teve o meu voto, meu apoio e tem minha defesa.
Prof. Dr. Luis Fernando Amstalden
PS: Kataguiri foi apontado pela revista Forbes como um das personalidades, com menos a 30 anos, mais influentes do Brasil. Para mim isso não significa nada. A revista em sim não representa meus valores e, no passado, outras pessoas foram muito influentes, tais como Hitler, Stálin, Mao, etc.

Posted in: Artigos