Doze “mandamentos” para uma antifeminista. Por Luis Fernando Amstalden

Posted on 26 de fevereiro de 2019 por

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É complicado entender a contradição do mundo contemporâneo.
Por um lado, nunca foi tão fácil e barato ter acesso ao conhecimento, à informação. Os livros são muito mais baratos do que no passado e a internet permite o acesso a estudos e artigos, quando não livros inteiros, de forma gratuita. Mas, ao mesmo tempo, a própria facilidade de se divulgar ideias e notícias, proporcionada pela tecnologia, permite a divulgação de asneiras, preconceitos, ideias falsas atribuídas a terceiros e outras informações que tornam a população mais ignorante.
Não que no passado as ideias falsas e a ignorância não grassassem. Porém, penso que era mais aceitável uma pessoa, cem anos atrás, quando poucos eram alfabetizados e a mídia impressa era cara, ter dificuldade em discernir o falso do verdadeiro em termos de notícias e de ideias. Hoje, com tantos recursos, a falta de discernimento parece-me imperdoável.
Mas está aí, e ampliada pelo fato de que as pessoas acreditam mais nas mensagens de grupos de whatsup do que em livros de História.
Uma das coisas que me surpreende é o fato de que mulheres, por exemplo, tem criticado duramente o feminismo nas redes sociais. Oras, foi a luta das feministas que lhes deu, inclusive, a liberdade de manifestar-se livremente. E, no entanto, muitas criticam o movimento que lhes deu tal liberdade.
Pensando nestas mulheres, jovens e idosas que acreditam que o feminismo é o “mal” que vem junto com o “mal maior” o pensamento de esquerda (cuja diferença da direita a maioria não conhece) resolvi criar uma pequena lista de “mandamentos” para as antifeministas que se esmeram em críticas nas redes sociais. Ficou um pouco duro e talvez jocoso, mas não penso que tenha ficado irrealista.:
1) Não faça mais comentários políticos na internet ou mesmo em outros meios. Antes das lutas pelos direitos femininos, as mulheres não opinavam sobre política e era considerado um escândalo que o fizessem.
2) Não trabalhe. A não ser que sejam trabalhos domésticos e de criação dos filhos. O direito da mulher ao trabalho e aos salários dignos e iguais aos dos homens é uma bandeira feminista. Evitando o trabalho remunerado você vai evitar essas duas reivindicações demoníacas do feminismo e, de quebra, vai aumentar as vagas de empregos para os homens.
3) Ao não trabalhar, abra mão de autonomia econômica. Faça como diz São Paulo e submeta-se ao seu marido e peça dinheiro a ele quando precisar. Claro que você vai ter que se casar, ficar solteira não é uma opção viável economicamente e nem é moralmente adequado. Se não encontrar um marido, bem, tente ficar na casa de seus pais até eles irem e depois na casa de irmão ou irmã casados. Você poderá reivindicar o antigo status de “tia” ou “agregada” em um lar saudavelmente patriarcal.
4) Casando-se, não se divorcie em hipótese alguma. O direito ao divórcio e à pensão é uma insídia feminista para destruir a sagrada instituição da família.
5) Casada, transe com seu marido só quando ele quiser e mesmo que você não queira. Falando nisso, nada de transar sem estar casada, já que a liberdade sexual é feminismo. Melhor esquecer também biquínis, roupas sensuais, maquiagem etc. Você pode cobrir a cabeça como fazem ainda algumas mulheres em universos em que a besta feminista não chegou. Aliás, pode cobrir o corpo todo, de preto, de preferência.
6) Se apanhar do marido ou de outro homem, não reclame. A culpa foi sua. Ele é quem manda e sabe. Você pode não saber por que está apanhando, mas ele sabe porque está batendo.
7) Lembre-se de que até poucos anos, a legítima defesa da honra era prevista no código penal brasileiro. Então abra mão do direito de não ser assassinada por um marido ciumento e não vá ao velório de uma amiga que o tenha sido. Isso seria muito feminista de sua parte e totalmente indecoroso.
8) Vê se aprende a cozinhar, lavar e passar, além de limpar a casa, com esmero. Afinal essa será sua função principal.
9) Tolere as necessidades sexuais de seu marido e aceite que ele dê uma escapadinha para os bordéis as vezes. Não se esqueça de que na zona, as mulheres são todas feministas, então estão abaixo de você, rainha do lar
10) Pare de votar. Isso é coisa de feminista. Aliás, pessoalmente eu acho que, se você acha o feminismo uma coisa do demônio para acabar com a moral e os bons costumes, além da família. Não votar é um favor que você faz a mim, pessoalmente, e a milhares de mulheres mais bem informadas que sabem o que significa feminismo.
11) Esqueça qualquer cargo de liderança religiosa, como ser pastora por exemplo. A Bíblia proíbe que mulheres conduzam cultos e cerimônias religiosas. Aliás, não sei se a Damares, que se diz “mestra” em educação religiosa sabe disso Se sabe, ela é meio feminista. Mas isso não importa porque você não deve seguir pastoras também.
12) Por último, NUNCA, JAMAIS estude algo sério. Atenha-se a estudar receitas culinárias, de tricô e crochê.

Este mandamento deve ser fácil. Você, pelo jeito, nunca gostou de estudar mesmo..

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