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  1. Antonio Kulaif

    8 de abril de 2016

    Acabo de ler dois artigos interessantes com colocações bem postas sobre o momento que o país vive.
    Em um deles são feitas duas perguntas as quais me permito responder e comentar, muito mais como um lamento do que por qualquer outro motivo.
    – Existe um golpe em curso ou o golpe já está dado?
    Embora ainda em curso, o golpe já foi dado!
    Estamos diante de um golpe com características midiáticas ou judiciais?
    É um golpe midiático-judicial!
    A justiça sem a mídia e a mídia sem a justiça não teriam avançado tanto. A simbiose entre os dois foi fundamental para o golpe.
    Golpe que vem sendo orquestrado há muito tempo, prosperando sem que o grupo político no poder agisse para evita-lo, tenha sido por omissão, covardia para o enfrentamento ou até, pelo pouco caso dado aos sinais. Todos visíveis e percebidos por uma minoria pensante.
    O crescimento das seitas pentecostais, verdadeiros estelionatários que iludem a fé do povo se desenvolveram a luz de uma pseudo liberdade religiosa que pouco a pouco elegeram representantes e hoje compõe mais de um terço das câmaras legislativas.
    Sou religioso, tenho minha crença e posso dizer que minha fé é racional, mas a par disto, entendo que o cérebro humano é a máquina que conheço como a mais perfeita que a natureza pôde elaborar.
    Infelizmente é uma máquina que nasce burra, precisa ser ensinada e boa parte da nossa população foi ensinada por pastores fundamentalistas que trouxeram os escritos da bíblia como se atuais fossem.
    Pastores que usaram a boa fé e o desespero dos mais necessitados se tornaram proprietários de redes de rádio e televisão. Usaram e usam esses veículos para fazer proselitismo religioso numa clara violação ao código de telecomunicações de um país laico. E neste ponto, os pastores não estão sozinhos, a igreja romana usa os mesmos meios e a mesma técnica.
    E nenhuma providência foi tomada, ao contrário o grupo político no poder buscou apoio deles.
    As pessoas mais simples aderiram a essas seitas, abandonando sua fé católica por culpa da própria igreja romana que com João Paulo II se rendeu ao neoliberalismo fechando suas portas aos que dela mais necessitavam.
    Os pastores de 36% da população brasileira hoje conseguiram transformar o cérebro pensante de cada um em uma máquina amorfa.
    Gradativamente pessoas da classe média e alta começaram a aderir a essas seitas não pela fé religiosa, mas pelos ganhos financeiros. Exemplos não faltam e vão de comerciantes, industriais, artistas e políticos estes usando a fé para conseguir os votos necessários para os cargos aos quais concorriam.
    Essas seitas, todas elas de clara inspiração norte-americana, conseguiram eliminar do cérebro dos seus fiéis a capacidade e pensar, raciocinar e agir como seres humanos. Tornaram-se uma massa amorfa que obedece a comandos.
    Dos mais letrados que não aderiram a essas seitas, encarregou-se a mídia através dos jornais, revistas e emissoras de televisão.
    Órgãos de imprensa cujos proprietários, sete famílias no Brasil, têm interesses contrariados pela política de governo que se serviram e servem de homens e mulheres sem caráter e dignidade profissional para o trabalho sujo.
    Pessoas que para estar próximas dos poderosos ou para obter algum benefício pessoal aceitaram fazer o trabalho sujo pelo que recebem e classificam como salário que na verdade não passa do trocado pelo qual cada um deles vendeu sua consciência.
    Um trabalho excepcionalmente bem feito como tem sido visto com hordas de pessoas aculturadas exigindo justiçamento e com as quais é impossível qualquer tipo de diálogo que seja pautado pela lógica.
    Pessoas que se dizem estudadas e preparadas que aceitam e endeusam um juiz tomado pelo messianismo que julga não conforme as leis, mas pelo que ele acha. Essas pessoas não se dão conta do significado amplo dessa atitude tomada por parte do juiz e seus procuradores.
    Agem como hordas que em nada diferem das turbas que na Idade Média clamavam pelas fogueiras e justiçamento em praça pública.
    Manifestam seu desagrado batendo panelas e ao fim do momento de protesto muito provavelmente entregam as panelas para que suas empregadas domésticas possam lavá-las.
    As instituições que deixaram gradativamente sua função no estado se transformando em partidos políticos. Os chefes de cada uma delas toraram-se protagonistas, detentores de poder quase ilimitado.
    Subverteram completamente a ordem constitucional.
    O Brasil hoje não é um país com três poderes constituídos, mas de incontáveis poderes cada um deles querendo abocanhar seu quinhão e prevalecer sobre os demais.
    Os tribunais superiores se acovardaram pelo medo de serem expostos na mídia ou por interesses ainda mais escusos.
    Permitiram uma completa inversão dos valores consagrados nas leis fechando os olhos quando foram adotadas práticas nazifascistas permitidas para eliminar a corrupção ao mesmo tempo subverteram completamente o Estado de Direito.
    Um mesmo juiz da mais alta corte do país concede uma liminar que impede a posse de um homem que não está indiciado nem é réu de qualquer processo e no dia seguinte, o mesmo juiz, emite um parecer favorável a uma eventual posse do homem que comanda o golpe. Sua afirmação: – A posse é um ato legal porque ele ainda não foi condenado.
    Nem Kafka não teria feito melhor!
    O partido que levou Lula ao poder deu os sinais de irresponsabilidade quando agiu como todos os demais quando chegou ao poder.
    Muitos membros do partido usaram o poder para enriquecer fazendo trabalhos de consultoria ou tráfico de influência, como queiram.
    Muitos enriqueceram um deles a ponto de ter montado um feudo no Paraná mostrando a todos que seu ideal tinha um preço que foi pago, à época, com prazer pelos que agora pedem a derrubada do governo.
    No episódio do que chamam mensalão cometeu, a meu ver, seu maior erro.
    A frase: – Se eles fazem, por que não posso fazer também? Talvez tenha sido o erro maior, pois ao invés de usar o acontecimento para mostrar ao povo como funcionavam nossas casas legislativas, forçando com isso uma profunda reforma política, contemporizou acreditando que o episódio passaria por um pecadilho que logo seria esquecido pelas conquistas sociais, estas inegáveis.
    Inabilidade política da atual presidente que por mais bem intencionada que tenha sido, ou seja, partiu para o enfrentamento aberto, sem se dar conta que vencera uma eleição difícil e por estreita margem. Acreditou, talvez, em uma força política que não tinha e se tinha não era dela. Nenhum dos auxiliares e conselheiros a demoveram.
    Mesmo saindo vencedora da eleição aplicou o programa proposto pelo seu maior adversário.
    Tomou logo de início medidas duras, não discuto a necessidade ou quais foram, mas ao invés de expor aos seus eleitores as razões aplicou-as de forma açodada suscitando reações desfavoráveis até dos seus apoiadores.
    Passou a ser criticada violentamente pelo adversário perdedor e em nenhum momento se posicionou frente aos ataques que recebia. Ao contrário escondeu-se no palácio, quase catatônica, acreditando que sendo honesta e legitimamente eleita estaria imune.
    Outro sinal claro, este vindo do empresariado, foi durante o segundo ano do seu primeiro mandato quando deu mais um passo em direção a um Brasil moderno.
    Reduziu os juros internos aos níveis daqueles cobrados nos países desenvolvidos. Deu-se mal e começaram seus problemas desde então.
    Os empresários e o capital brasileiro são rentistas por natureza e a baixa dos juros fez com que os empresários buscassem a renda perdida com aumento no lucro do que produziam e comercializavam. Conseguiram a elevação geral de preços, iniciando a espiral inflacionária com a qual convivemos.
    Nenhuma atitude foi tomada para enfrentar o empresariado e os detentores do capital.
    Sinais claríssimos incentivando sua saída, vindos das várias mídias que apoiaram e apoiam tudo e a todos que se colocam contra um governo que conseguiu inserir mais de 36 milhões de pessoas, também ficou sem resposta.
    Quando esses mesmos veículos de mídia começaram ataques pessoais e os movimentos ditos populares, sabidamente financiados por organismos norte-americanos e empresariais brasileiros, fizeram e fazem ataques pessoais e outros capitulados no Código Penal, que providências foram tomadas?
    Em um governo anterior o nosso subsolo foi vendido eliminando com isso nossa participação ativa no cenário mundial usando a força representada pelas matérias-primas do nosso subsolo.
    Deus foi generoso com o país e nos deu outra chance, o pré-sal que também será entregue as multinacionais e mais uma vez elimina nossa possibilidade de soberania plena e a capacidade de definir nossas próprias políticas de desenvolvimento interno, de saúde e de educação.
    Na abertura de um evento de alcance mundial deliberadamente a presidente recebeu tratamento com palavras de baixo calão e nenhuma providência foi tomada.
    O que pensaram os cidadãos de outros países quando veem a autoridade maior do país tratada daquela forma para o mundo todo pudesse ver?
    Em todo o mundo o que pensam quando veem populares envoltos pela bandeira brasileira pedindo a saída de uma presidente eleita servindo-se de um réu, em vários processos por corrupção, no comando do golpe jurídico?
    Estamos mostrando ao mundo o que sempre fomos e queremos continuar sendo por força de uma classe com complexo de vira-latas:
    – Uma república das bananas cujo regime é a canalhocracia.
    Não mais seremos aquilo que sempre fomos levados a acreditar que éramos ou seríamos com o passar do tempo e o desenvolvimento.
    O país do futuro, o gigante adormecido com uma população pacífica, aberta e acolhedora, sem preconceitos de classe, origem, opção religiosa ou de gênero.
    Esses pressupostos caíram todos por terra.
    O Brasil que a partir do governo Lula começava a se inserir no mundo como protagonista e líder da América Latina está reduzido novamente ao que sempre foi um figurante no cenário internacional, seja qual for o desfecho desses acontecimentos.
    O estrago, em minha opinião, é irremediável.
    A esta altura pouco importa se for apeada do poder, conseguir um pacto ou se manter no poder a custa de acordos espúrios, o mundo todo a vê como uma mandatária sem poder que não é aceita por uma grande parte dos brasileiros, por mais legítimo que seja seu mandato.
    Dois anos precisos foram perdidos não só tentando agradar os adversários, mas por não cumprir grande parte do seu programa de governo.
    A frase final de um dos artigos que li:
    – O Brasil não será o mesmo.
    Seja qual for o resultado desse golpe a frase é clara e representa a realidade daquilo que vivemos e daquilo que viveremos daqui para frente, como país e como povo.
    A máscara caiu, não somos afáveis nem tolerantes.
    Somos preconceituosos e acima de tudo ignorantes, pois não importa se o país e o pouco que temos são destruídos se o objetivo for alcançado.
    Forças externas poderosas que contam com auxiliares internos em postos chaves continuam e continuarão fustigar o governo, este ou outro qualquer, caso suas exigências não sejam atendidas.
    Houve um cerco muito bem planejado e executado que não foi percebido pelo grupo que governa o país. O cerco se fechou!
    Apesar dos movimentos e da posição combativa de muitos que enxergam esse fim melancólico, nossas atitudes são pueris, mais afeitas a saraus de poesia e musicas de lamento como tem feito hoje a população de Honduras.
    O gigante adormecido foi abatido quando começava a despertar para não mais se levantar.
    Jamais seremos uma nação, continuaremos sendo o país de uns poucos.

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