Se você não sabe quem é o cidadão, permita-me dizer. Ele é neto de João Batista Figueiredo, o último general presidente que mandou no Brasil durante a ditadura. E Paulo não “negou o sangue”. Apologista da ditadura, apoiou a tentativa de golpe do oito de janeiro e por isso e outros crimes, está foragido nos EUA. Lá mantém boas relações com apoiadores do governo Trump. Acho que não preciso dizer que ele é um apoiador ferrenho dos Bolsonaro e se arroga de ter facilitado os contatos entre Eduardo Bolsonaro e os assessores de Trump para imporem taxas sobre os produtos exportados pelo Brasil. Enfim, uma “bela capivara” antidemocrática e entreguista.
Afirmar que ele aparece de vez em quando não seria correto. Ele tem muitos seguidores e faz o possível para estar todos os dias na internet atingindo seu público bolsonarista. E atinge bem.
Nesta semana na qual escrevo, no entanto, ele “bombou” extraordinariamente. Afirmou em live que “as mulheres votam mal para c… (perdoem, mas não vou reproduzir a palavra exata aqui, mas é essa mesma na qual você provavelmente pensou). E foi um pouco além: disse que as mulheres solteiras votam pior porque as casadas geralmente acompanham os votos de seus maridos. Em “tradução livre” o que ele disse é que as mulheres são burras e/ou incompetentes para votarem e por isso precisam de um homem para lhes dizer em quem votar.
Declaração surpreendente? Não me parece. Quem sabe o que ele e os que ele apoia e os que o apoiam pensam, não consegue mais se surpreender com as falas e as ideias. Eu acho que a declaração dele é “fascista”. Algo como a ideia dos nazistas de que as mulheres deviam se limitar a cozinha, a igreja e a maternidade. Algo que nega toda a emancipação feminina e tem saudades do patriarcado. O que surpreende é outra coisa.
O surpreendente é o fato de tantas mulheres votarem nos Bolsonaro. E não adianta dizer que foi Paulo Figueiredo e não os Bolsonaro quem disse isso. Desde o pai ate os filhos, não foram poucas as declarações misóginas do “clã”. Muitas mulheres, é verdade, não ouviram essas declarações, principalmente as mais pobres que votam por direcionamento religioso. Outras talvez não tenham ouvido porque só ouvem o que querem. Mas a verdade é que ele falou e que o seu grupo político considera, sim, as mulheres como inferiores que devem assumir uma postura subserviente ao homem.
E também surpreendente é o fato de que muitas mulheres bolsonaristas estão na câmara federal e no senado. Inclusive aquela figura histriónica que usa um negócio esquisito na cabeça o tempo todo. Eu não enxergo direito, mas talvez seja uma espécie de aparelho medico para evitar que o “miolo mole” escorra do crânio, uma vez que talvez, se o “miolo” fosse mais consistente, ela assumisse outra posição.
O fato é que se você é mulher e perdeu essa fala. Se for mulher e vota nos Bolsonaro, se é mulher e não entendeu o projeto de restrição à mulher que está na fala de Paulo Figueiredo e de tantos outros líderes bolsonaristas, saiba que para eles vocês são burras demais sem um homem por perto, principalmente as solteiras.
Mesmo que você seja mãe solo como tantas e tenha que se sacrificar muito para manter seus filhos uma vez que os homens mais “inteligentes” caíram fora e não estão nem aí para a “família tradicional”. Mesmo que você tenha que desempenhar um papel triplo de mãe, dona de casa e profissional. Mesmo que você estude muito para garantir sua renda e sobrevivência. Mesmo que você tenha que enfrentar assédios e agressões por ser mulher, ainda assim você é “burra” para Figueiredo e para o seu grupo político.
Agora me diga: enfrentando tudo isso, você se acha burra? Eu acho que não é e se estou certo, pense bem em quem vai votar nessas eleições. Inclusive pense muito bem nos deputados e senadores, porque essa é a grande disputa deste ano.
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Anônimo
1 de julho de 2026
Caro Professor, li seu artigo com atenção. Independentemente das posições políticas de cada um, acredito que generalizações sobre homens, mulheres, eleitores de direita ou de esquerda pouco contribuem para um debate construtivo.
Tenho convicção de que a capacidade de pensar, decidir e votar não depende de gênero, estado civil ou orientação política. Existem mulheres e homens inteligentes, preparados e comprometidos com o país em todos os espectros ideológicos, assim como existem pessoas mal informadas em todos eles.
Também considero importante separar a opinião de um indivíduo da totalidade de um grupo político ou de seus eleitores. Quando associamos milhões de pessoas a uma única declaração, corremos o risco de simplificar excessivamente uma realidade muito mais complexa.
Respeito seu ponto de vista e sua trajetória acadêmica, mas acredito que o Brasil precisa cada vez mais de diálogo, respeito às diferenças e disposição para ouvir quem pensa diferente. É assim que fortalecemos a democracia e construímos pontes, não muros.
Um abraço.
MARCO RIPOLI
p.s.: Enviei um valor para sua conta … Fique bem
blogdoamstalden
1 de julho de 2026
Meu querido amigo, antes de mais nada Muito obrigado pela sua contribuição. Mas no fundo o que você comentou e o que eu escrevi não são coisas antagônicas. Quem falou sobre incapacidade feminina Não Fui Eu e nesse caso nós concordamos que existem sim Muitas pessoas inteligentes. A generalização foi feita pelo autor das declarações que eu critiquei. Também acredito em diálogo, mas o diálogo não se faz dizendo que um gênero é incapaz. Por outro lado também não disse para as pessoas votarem na esquerda, mas sim que pensem, afinal quem disse que as mulheres são incapazes não representa toda a direita e é preciso entender isso na hora da escolha. Saudades de um grande abraço