AREJAR – Por Antônio Carlos Danelon

Posted on 29 de maio de 2012 por

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Precisamos arejar a Câmara de Vereadores de nossa cidade antes que vire um museu de cera. Segundo o Jornal de Piracicaba (03.02.12), “vereadores acumulam 172 anos no poder. Na média, cada parlamentar está na Câmara há 11 anos, ou quase três legislaturas”. Alguns passam de 20 anos de mandato. Já nem distinguem mais serviço à comunidade de emprego vitalício; se bem que vários deles façam da vereança um bico já que mantém outras fontes de renda. Mesmo assim o cargo está para alguns como osso na boca de cachorro. Rosados e reluzentes; bem nutridos e saudáveis dificilmente a maioria deles é vista onde o povo mais precisa: prontos-socorros, unidades públicas de atendimento, escolas, ônibus, bairros, favelas ou fiscalizando obras. Em campanha vão até o inferno em busca de um voto.

Esta legislatura – exceto dois, às vezes três parlamentares – ratificou todas as contas da atual administração, até as rejeitadas pelo TCE. A Câmara não deixou de aprovar um projeto sequer do Executivo, nem os vetos do prefeito foram barrados. O Executivo controla todas as comissões sobrando pouco espaço para a oposição se manifestar. Desse jeito até eu governo. As leis do Orçamento, da LDO, Plano Plurianual passaram sem discussões, sem emendas e com zero de participação da sociedade.

Quiseram barrar até o uso da Tribuna Popular, uma conquista que remonta os áureos e saudosos tempos dos movimentos populares. Ora, “quando todos pensam igual é porque  ninguém está pensando”, dizia Walter Lippman. Não existe concessão quando em jogo está a democracia. Quem autorizou esses cidadãos a colocarem o Legislativo de joelhos? A História fará troça dessa gente e de nós, seus contemporâneos.

Sessenta por cento do tempo os vereadores passaram viajando. Segundo matéria do dia 20.06.10 o suficiente para se dar uma volta ao planeta Terra. Só com diárias gastaram mais de 13 milhões. Quantas casas populares esse dinheiro faria? A maior tarefa dos edis em 2010 e 2011foi nomear ruas e fazer moções (tem gente que merece!) mesmo tendo dinheiro à vontade – tanto que devolveram aos cofres públicos R$ 3,5mi em 2010 e R$ 1,5 milhão em 2011. Embora seja jogo de cena, devolveram pouco pelo que fizeram. Em 2012 dispõem de um orçamento de R$ 23,1 milhões.

Então não fizeram nada certo? Fizeram tudo certo; nada de errado. Só não fizeram o que deveriam ter feito; ficaram aquém do dever. Para marcar de vez uma legislatura reacionária, pelega e pusilânime como esta – apesar das exceções – deram aos futuros colegas, entre os quais pretendem estar, um aumento salarial de 75%, passando de R$ 6.229,47 para C$ 10.900 a partir de 2013. Qualquer cidadão equilibrado vive muito bem com menos da metade disso. Criaram também novos cargos: chefe de gabinete R$ 4.036,00; assessor R$ 3.300,00; secretário R$ 2.570,00. O vereador pode optar em ter um chefe e três assessores ou um chefe, dois assessores e dois secretários. Pelos salários essa gente deve ser mais necessária à cidade que professor, policial, assistente social, coletor de lixo, agente de saúde, motorista de ônibus, atendentes, etc.

Um nó cego ou um irresponsável deve ser quem pretende manter essa turma toda no cargo. A menos que esteja em jogo a cesta básica, o procedimento médico ajeitado, a viagem, o cimento, o favorzinho, o emprego, a festa bancada com dinheiro público, o churrasco no final do campeonato, as bolas e jogos de camisa. Então, trata-se de gente pior que eles, o que é um desastre.

“Quando não se colocam limites aos representantes do povo, eles não são defensores da liberdade, mas candidatos à tirania”. (Benjamim Constant).

Antônio Carlos Danelon é Assistente Social.   totodanelon@ig.com.br

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