Barrando Bobagens 1 – Contra a Nefasta Barragem de Sta. Maria da Serrra. Por Eloah Margoni

Posted on 25 de junho de 2012 por

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Inicio esclarecendo que somos, enquanto ambientalistas, totalmente a favor de hidrovias de modo geral, meio de transporte racional e ecológico; isso, desde que falemos de rios navegáveis! O Piracicaba não o é em grande parte. Qualquer estudante de geologia ou de geografia (vide faculdade de Rio Claro) confirmará isso. Daí um gasto imenso, incalculável quase, de dinheiro público (que deveria, por questões éticas até, ser empregado em tantas outras áreas críticas e de urgentes demandas), só para tornar um pequeno, um insignificante trecho do nosso rio Piracicaba, “navegavelzinho”, com a construção de um dinossauro amarelo, o muro de Berlim das Águas, ou seja, a Barragem de Santa Maria da Serra. No projeto anterior seriam uns míseros trinta quilômetros apenas de aumento da hidrovia.

     Esses argumentos, são só pra começar, e sem falarmos ainda nos enormes e gravíssimos impactos ambientais que adviriam do monstro de concreto. Tal coisa é, na melhor das hipóteses, sinal de pouca inteligência e nenhuma razoabilidade, para dizer o mínimo. Também ciclovias são muito interessantes e úteis ecologicamente falando, mas aplainaríamos as colinas de Piracicaba para torná-la uma cidade planície totalmente “cicloviável”? Quem pensaria nisso? Pois o absurdo da idéia é o mesmo.

     Cumpre-nos também esclarecer que tal projeto, gestado na ditadura militar (tal qual o foi Belmonte) quando se adorava o “megamegatudo”, retornou há dezesseis anos, desencavado, mas parou, sendo bastante criticado pelo Consema. (Conselho Estadual de Meio Ambiente), à época. Agora, Freddy Krueger hides again!

     Quando se indaga onde exatamente se insere tal assunto (no PAC será, ou em que projeto maior?) e qual a necessidade real disso (ainda sem falarmos em alternativas possíveis); ou seja, o que realmente se vai transportar e para onde? vários políticos afirmaram ainda não terem muita certeza. Talvez pudessem gastar também uns dois ou três milhões de reais construindo torres e muralhas ao redor das cidades. Pra quê!? Bom, igualmente não teriam ainda muito bem certeza.

       Quanto aos impactos ambientais, é só chorar sobre eles: centenas de hectares de mata atlântica inundados, mortes terríveis de milhares de indivíduos de tantas e tantas espécies de animais silvestres, de aves (certamente muitas em extinção), destruição de árvores preciosas. Sem falar nas últimas várzeas to Tietê, no Tanquã, que são um mini pantanal, habitat do jacaré de papo amarelo. Algo imitigável e imcompensável são esses danos catastróficos, nos diz o senso comum. Há, também, a questão das enchentes. Isso poderia, talvez, piorá-las muito em Piracicaba e região. É isso o que os gestores desejam para as cidades?

        É sempre bom indagarmos por quais desatinos já há, faz tempo, verbas federais liberadas para o empreendimento? Mesmo que ele nunca saia do papel, quanto não custara, ao contribuinte, só o Estudo de Impacto Ambiental do mesmo?  A população precisa realmente se conscientizar melhor de suas escolhas nas urnas, pois pelos andares das carruagens, das escavadeiras e dos tratores, nossos votos são, simbolicamente falando é claro, talões de cheques por nós assinados, mas totalmente em branco, usados depois contra nós e contra a natureza.

Eloah Margoni , ecologista e médica.