Lista de Janot enterra Impeachment. Por Erich Valim Vicente

Posted on 12 de março de 2015 por

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A semana começou com a repercussão do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, no domingo (8), o Dia Internacional da Mulher, e o panelaço em prol do Impeachment como prévia do que se pretende no próximo domingo (15), quando deverá ocorrer manifestações em pelo menos 200 cidades do País pedindo a saída da chefe da Nação. A repercussão midiática tenta, a todo custo, emplacar o movimento ao ponto de alcançar os 100 mil manifestantes conforme prometido por dos líderes da manifestação que se avizinha.

Movimentos sociais são, a rigor, legítimos, e em uma sociedade democrática é importante que eles sejam sempre presentes. O que não é possível entender (tampouco aceitar) que menos de três dias depois da divulgação da outrora “salvadora” lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com os nomes indiciados na Operação Lava Jato, a própria mídia, responsável pelo ovo da serpente, não seja minimamente sincera a observar que a tentativa de fazer pegar a tese do Impeachment tenha perdido qualquer lastro com a verdade.

A começar com a não existência de qualquer indício que envolve direta ou indiretamente a presidente Dilma Rousseff. Mesmo que o ex-tesoureiro da campanha, Antonio Pallocci, apareça, ainda assim, trata da campanha de 2010, durante uma administração já encerrada e impossível de ser “impeachmada” de maneira retroativa. Mesmo que a Operação Lava Jato tenha derrubado a presidente da Petrobras, Graça Foster, não há indício de alguém do governo esteja entre os beneficiários do esquema descoberto em delação premiada.

Para afundar de vez ainda o tese do Impeachment aparece o fato que o personagem político responsável por torna-la “viável” apenas não está entre os indiciados por obra do Espírito Santo. O senador Aecio Neves (PSDB) foi citado ao menos duas vezes, de que teria recebido recursos de uma diretoria de Furnas, por intermédio do ex-deputado José Janene (PP), falecido em 2009. Estivesse entre nós, Janene poderia apresentar mais detalhes sobre a participação do ex-governador de Minas Gerais no famigerado esquema de corrupção.

Para piorar a situação de Aécio Neves, o recém-alçado a baluarte da ética e da lisura pública, o apadrinhado político Antonio Anastasia (PSDB), também ex-governador de Minas de Gerais, está entre os indiciados e agora precisará demonstrar toda a lealdade ao neto de Tancredo Neves para que o senador continue viável como líder da oposição – e, quem sabe, ainda seja presidenciável em 2018. Para finalizar, vale lembrar ainda que o procurador-geral Rodrigo Janot disse que “não se está fazendo nenhum juízo insuperável”.

E se a possibilidade do Impeachment já era remota, politicamente, não poderia ser menos ainda com o indiciamento de duas das três principais lideranças do PMDB – Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. Terceiro e quarto homens na sucessão, agora se vêem de lama até o pescoço e, ao invés de impedir a presidente Dilma Rousseff de exercer o mandato, podem ser eles os alvos de processos de quebra de decoro parlamentar. Em outras palavras, o Congresso Nacional não tem qualquer moral, ou condição ética, de tratar o Impeachment a sério.

O que sobra? Sobram apenas as panelas das sacadas dos luxuosos prédios da elite burra de São Paulo. São elas que dão os últimos ecos de uma tese que, ainda que natimorta, ganha fôlego por conta de uma mídia mau-caráter e um partido como o PSDB que, receoso de botar a cara a tapa, prefere agir no submundo da política, oferecendo a válvula da sua privada a uns poucos imbecis.

 Erich Valim Vicente é jornalista e Editor Chefe da “Tribuna Piracicabana”

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