Coluna do Totó. MARCA DE CAIM

Posted on 3 de maio de 2013 por

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Assim que Caim matou Abel, Deus lhe perguntou: “Onde está teu irmão Abel?” “Não sei. Acaso sou guarda do meu irmão?” – respondeu. O Senhor lhe disse: “Ouço o sangue de teu irmão, do solo clamar por mim! Agora, és maldito e expulso do solo fértil que abriu a boca para receber de tua mão o sangue do teu irmão. Serás um errante fugitivo sobre a terra”. Caim disse que seria morto pelo primeiro que encontrasse. Deus colocou, então, um sinal sobre ele para que ninguém abreviasse sua sina. (Gn 4,9).

Com linguagem figurada, o autor do Gênesis mostra que o mal nasce no coração humano, no entanto Deus pedirá contas de todo sangue que a violência derramar. Como Caim, o destino de um criminoso é vagar. A sombra do seu crime acompanha seus passos. O clamor da vitima ecoa em sua mente mesmo que se esconda no fundo do mar ou se encharque na devassidão. Não consegue encarar ninguém nos olhos. Sempre assustado, olhando para trás e para os lados não sabe em qual esquina sucumbirá. A violência tem troco. Mesmo armado e cercado de andróides se vê desprotegido. Em ninguém confia. Acabará na solidão; nem entre os seus encontra refúgio. Alguém sentiria honra em uma mãe ou pai que traz na fronte a marca de Caim?

Se conseguir comprar a justiça de cá, como não raro acontece, não escapará da justiça de lá. Quando se apresentar diante do Senhor, onde esconderá as mãos sujas de sangue? A menos que se converta e repare com boas obras o delito que praticou, já que qualquer tipo de mal pode ser revertido, porém, a vida de alguém não tem preço, não tem volta. Somente a misericórdia pode devolver a paz, pois “não existe nenhum pecador no mundo a quem Deus não conceda a misericórdia” como dizia Francisco de Assis. Contudo, poucos buscam tal graça.

Como queriam políticos e empresários de mentalidade obtusa, Piracicaba deixou de ser fim-de-linha e virou arena onde poderes se digladiam. O “progresso” chegou trazendo, como sempre, dinheiro para poucos e infortúnio para a maioria. “A violência vai para onde está o dinheiro” já dizia o comandante do 10º Batalhão da PM no JP de 02.04.10. O desrespeito virou rotina e o trânsito mata quase todos os dias. As ruas desertas noite afora e altas grades indicam medo. A criminalidade saiu do controle. Só neste ano foram 24 mortes violentas.

Exceto legítima defesa, para o homicídio não há justificativa. Que direito tem alguém de matar para tirar o que o outro conquistou com sacrifício ou porque pisou na bola, por ciúme, vingança, inveja ou por causa da droga, esse dragão maldito sustentado por irresponsáveis que preferem bancar asquerosos traficantes e toda a teia de maldade que os envolve a curar feridas que latejam na alma? Ninguém outorgou a qualquer ser humano, seja qual for seu estado ou função, poder sobre a vida do semelhante.

Na verdade, o assassino calculista, se não for psicopata, é um alguém que nunca amou e foi amado; um doente que vê nas pessoas a causa de seu desterro interior; não se comove com a afalição do outro; nunca soube o que é compaixão e nem perdão. Poderia usar sua ousadia para o bem, porém, no fundo é um fraco, um covarde. Vira valente porque tem na mão uma arma, que um dia se voltará contra ele mesmo.

Um homem culpado de assassínio fugirá até o túmulo: não o segurem!” (Provérbios 28,17).

Antônio Carlos Danelon é Assistente Social.

totodanelon@ig.com.br