Coluna do Evandro. É Só Uma Piada!

Posted on 9 de dezembro de 2013 por

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“O rapaz leva a namorada para o motel.

Chegando lá, ela tira a roupa, deita-se na cama, abre as pernas e sussurra com voz lânguida:

– Vem, faz com que eu me sinta mulher!

O rapaz tira as roupas, joga-as em cima da moça e diz:

– Toma, lava!”

 

Não existe uma única piada que não tenha um objeto de escárnio!

Não acredito em piadas politicamente corretas, e também não acho que devemos acabar com o humor, (acreditem) eu faço piadas quando estou entre amigos e eles sempre riem. Ambientes descontraídos pedem livre expressão de pensamento, e nem sempre são politicamente corretas essas expressões, não atirarei pedras em humoristas, mas convenhamos: Quem fala o que pensa, automaticamente, se sujeita a críticas!

Esse assunto entrou em pauta nos últimos anos e, a contragosto, os humoristas são criticados e também processados juridicamente, o que levanta a polêmica da censura no país. De contra partida os humoristas reforçam as caricaturas já tão massacradas de nossa sociedade, mazelas, que creio, atingem os menos favorecidos e os mais injustiçados historicamente. Essa briga levanta tanta poeira que cega muita gente.

O humor deve ser aceito como arte, e aceitá-lo de fato como arte é um reconhecimento necessário, porque esse também sofre preconceito no seguimento que pertence, muita gente acha que fazer humor não é algo importante e que os atores não são de fato atores, um erro é claro!

Embora a arte do humor deva ser respeitada, incentivada e até admirada, não se justifica o crime que ocorre nos palcos, alguns atores sentem-se transgressores ao fazerem piadas com as minorias, mas na verdade estão apenas reproduzindo piadas tão velhas e discriminatórias quanto os seus avôs já faziam.

Estereotipar loiras, gays, negros, nordestinos (especialmente os baianos), gaúchos, mulheres, sogras, não deve ser reconhecido como humor, não se justifica a bilheteria dos “stand up comedy”.

Já ouvi tal justificativa: “A platéia paga para rir e o humorista tem que fazer isso a qualquer custo”. Será mesmo? Será que os fins justificam os meios? Em nome da diversão de alguns vale tudo?

Se isso fosse verdade as rinhas de galos não seriam crimes, nem os bingos e talvez até mesmo a luta humana, até a morte, fosse permita, uma vez que traz diversão para alguns e muitos pagariam bilhetes para assistir tais espetáculos. Definitivamente não se justifica!

O grande desafio é fazer humor sem bater nas minorias já tão estropiadas por essa arte. É possível, é claro!

Como disse antes, não existe uma única piada que não tenha um objeto de escárnio, então mudemos o nosso objeto de deboche, a piada fere, mas muito além de ferir, ela engessa, alicerça e fortifica o sistema que já toma como certo determinadas “verdades” contra as minorias.

As particularidades devem ser respeitadas, o humor deve ser uma cultura transformadora.

Existem sempre dois lobos dentro de nós e em cada ação que praticamos, um tende ao bem enquanto o outro tende ao mal, qual dos dois vence? Aquele que alimentamos melhor.

É possível fazer humor e ao mesmo tempo prestar um serviço social, é possível ser engraçado sem humilhar ou constranger uma minoria.

Não sou a favor da censura, cabe a população escolher que tipo de humorista ela quer assistir, prestigiar, no entanto, uma única vez que um humorista resolva exercer esse direito do livre pensamento, ele tem que se preparar para críticas e para possíveis ações de danos morais. Somos responsáveis pelo que falamos e principalmente se tivermos poder de influência ou público seguidor, pois essa responsabilidade aumenta.

O desafio consiste exatamente nesse ponto, fazer humor sem agredir quem tanto já foi agredido.

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Evandro Mangueira é escritor e autor do livro “Arcanjo Gabriel”.