Coluna do Totó. PIB

Posted on 21 de outubro de 2014 por

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Pouco entendo, mas sei que PIB é uma medida do valor dos bens e serviços que o país produz num período, na agropecuária, indústria e serviços. Falam que nosso crescimento é fraco, empresas estão em apuros, inflação voltou e nosso PIB virou pibinho. Como sempre, empresários culpam o governo federal, apesar de pouco terem investido em qualificação de mão de obra e racionalização da produção.

Por outro lado, leio que “PIB é uma medida incompleta e até enganosa da riqueza. A economia global terá de se reinventar, pois já não basta gerar empregos, pagar impostos e criar produtos. A nova economia terá de prover bem-estar às pessoas para que o futuro não seja espartano por causa dos limites de planeta”. (Ricardo Abramovay. Economista – USP. Folha 08.06.12). Nesse mesmo sentido: “O ponto principal para o Brasil agora é resistir à tentação de copiar os EUA, onde a crença em lucro e crescimento é tudo. Porque não é. Crescemos, construímos, gastamos e lucramos cada vez mais, mas isso não tem se traduzido em uma sociedade mais igualitária e sustentável. Esse espiral de crescimento vai até o topo, mas entra em colapso”. (Gerd Leonhard, um dos principais futurólogos atuais. Folha de São Paulo 17.11.12).

Pressupõe-se que PIB elevado implique em melhoria no Índice de Desenvolvimento Humano. Porém, PIB não leva em conta a distribuição desigual de renda, responsável pela existência de uma minoria muito rica e uma maioria muito pobre. Num país onde instituições funcionam bem para quem é privilegiado, o bolo pode crescer o quanto der. A fatia maior ficará nas mãos de poucos; os demais que se matem pelo resto. Se houve – e houve – diminuição na desigualdade social nestes últimos anos foi graças a ações governamentais e não à mudança de mentalidade dos donos do capital. O Brasil tem 65 bilionários, cujas fortunas somam US$ 220 bilhões. Acumular tanto numa nação com tantos pobres é no mínimo grotesco. “Sabemos que a felicidade verdadeira, fiel a si mesma, não pode existir enquanto outros sofrem” (Governo do Butão – Folha 29.04.12).

Candidato que prega elevação na taxa de crescimento como única forma de desenvolvimento mente porque a desigualdade elevada prejudica crescimento. “Existem fortes provas de que tornar os pobres menos pobres beneficia um país”. (Paul Krugman do New York Times. Folha 09.08.14). Nem isso a tosca elite brasileira percebe. Na verdade, são os pequenos negócios que sustentam os bons índices de emprego no Brasil. Pequenas e microempresas criam mais vagas devido suas estruturas flexíveis; melhor e mais rapidamente respondem às sinalizações do mercado consumidor interno.

Por outro lado, adianta PIB elevado se o contribuinte precisa trabalhar cinco meses por ano para pagar tributos; se 32% da renda dos brasileiros mais pobres ficam nos impostos enquanto as famílias mais ricas gastam 21%; se existem no país cerca de 7,2 milhões de trabalhadoras domésticas e apenas 10% têm carteira assinada; se mulheres estão submetidas a exaustivas jornadas de trabalho; se idosos vivem mais, mas com menos qualidade; se milhares de jovens estão na cadeia; se operários de grandes construtoras são submetidos à escravidão por dívida, jogados em barracos sob condições degradantes, por vezes sequer sem receber salário; se depressão e estresse ligados ao trabalho elevam afastamentos pelo INSS; se trânsito e a poluição matam tanto e mais que a violência urbana e se o desenvolvimento desenfreado acabou com os recursos hídricos do Estado mais rico da nação?

“Porque uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz por suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto, é a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e adolescentes”. (Presidenta Dilma).

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