Convivência com animais domésticos como obrigação social. Por Eloah Margoni

Posted on 1 de julho de 2014 por

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criança e gato

Um amigo cuida de um enorme e simpático porco preto, bem perfumado, que dorme no quarto do casal, juntamente com dois cães . Coisa dele… Cá não falo disso, mas sim da obrigação enquanto sociedade, de ampararmos os animais moradores de logradouros públicos, e de não os abandonarmos tampouco.

     Senão trata deles, uma pessoa também não tem o direito de maltratá-los, exterminá-los ou de lhes dificultar a sobrevivência. O poder público, se não auxilia melhor nos cuidados, tampouco pode atrapalhar os cidadãos que fazem sua obrigação moral, ética e legal para com os animais.

     Enfim, temos de aprender a conviver, em locais públicos, com cães e gatos, inofensivos que geralmente o são, e até benéficos. É o dever mínimo de cada um que, geralmente, adora dizer-se cristão! Enfim, paremos de nos escandalizar com a existência de certo número de animais sendo cuidados em alguns lugares. Escandalizamo-nos não visando o bem deles, mas apenas por causa de nossos pruridos egoístas, mesquinhos e arrogantes!

     Na área de lazer da Rua do Porto, por exemplo (parque Dr. João Hermann Neto), o departamento de Zoonoses iniciou as castrações necessárias dos gatos que ali foram abandonados e se reproduziram também. Isso é muito bom! Há uma Ong que faz o transporte dos mesmos até o local das cirurgias e os leva de volta, mas, até onde constatamos, não se incumbe mesmo de dar local para o período de pós- operatório dos mesmos, o que seria o ideal. No entanto, numa bela colaboração entre funcionários de secretarias diferentes, está-se conseguindo dar o pós -operatório dos animais. Sinal de progresso e resposta positiva a reivindicações dos protetores.

     Ontem, por outro lado, lá dando uma olhada, notei que as vasilhas de água estão sumindo e as poucas que restaram foram esvaziadas (por bons cidadãos tementes a Deus?), como se os animais não tivessem sede ou direito a beber. Depois não se quer que procurem água nos bebedouros das pessoas, né?

   Isso precisa acabar. Temos, os protetores de animais, de colocar muito mais vasilhas do que deitam fora . Também precisamos continuar, sim, a alimentá-los, com exceção das terças à noite e das quartas pelas manhãs (para o jejum das cirurgias). Mas alimentá-los não aleatoriamente. Vermos quais aos magros, os esfomeados os mais fracos e privilegiarmos esses.

   Mantenhamo-nos vigilantes, solidários aos animais que já que ali nasceram, ou lá foram abandonados, devem ser tratados “in loco”, pois lugar muito melhor para eles não é provável de se achar. Tirá-los apenas do olhar dos humanos egoístas não é também nenhuma solução.

Eloah Margoni é médica e ambientalista

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