Somos Pop Os anos 90

Posted on 13 de abril de 2015 por

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Maxx Zendag 2015

A primeira vez que ouvi o som de uma cantora até então pouco conhecida, meus olhos brilharam e o coração bateu acelerado. Mil cores vieram à mente: eram as cores dos inesquecíveis anos 90.

O nome da cantora é Kiesza e, logo ao ouvir a música Hideaway, ficam evidentes as semelhanças com a música do Haddaway, What is Love – um hit que, entre tantos outras, marcou aquela década. Não me surpreende a semelhança do nome do cantor com a música dessa nova artista que, como um meteoro, invadiu as estações de rádio de todo o planeta no ano passado. Uma curiosidade interessante: Kiesza (pronuncia-se “Cáisa”) regravou a icônica What Is Love, em uma versão voz-e-piano avassaladora.

Só quem viveu os anos 90 sabe o que é sentir um inesperado vigor invadir a alma quando qualquer coisa – ou qualquer Kiesza – cheia de referência da época surge, nos dias de hoje, e soa tão contemporâneo!

Mas essa década nostálgica não foi só de música. Lembrar desses tempos nos leva a reavaliar tudo aquilo que faz parte da nossa realidade e do mundo que nos rodeia nos dias atuais. Se você ainda não captou a mensagem, vamos relembrar como era a vida nos anos 90:

O povo pintava a cara de verde e amarelo para sair às ruas e exigir mudanças, não para fazer bagunça e cometer atos de vandalismo.

Um impeachment era possível. Porque era algo levado a sério.

Ser usuário de drogas era um sinal de declínio, não de status.

Só passava de ano quem realmente estudava. Os alunos respeitavam o professor, e jamais ousariam intimidá-lo.

O CD começava a se popularizar, mas quem queria ter as músicas preferidas em casa sem gastar dinheiro gravava em fitas cassete o que tocava no rádio. E isso não era ilegal.

Os ícones pop não precisavam expor o próprio corpo, vomitar no palco ou ir para a cadeia para serem “pop”.

Havia a rainha dos baixinhos e não a mãe dos monstrinhos.

A garotada dançava Macarena e segurava o tchan, mas não descia até o chão nem fazia quadradinho de oito.

Popular era quem tinha muitos amigos, e não quem tinha milhares de curtidas no Facebook.

Havia o ombro amigo, não o beijinho no ombro.

Dar um rolê era passear, não tocar o terror no shopping.

Adotar medidas para realmente estabilizar a economia do país também era possível.

Era absolutamente normal pedir a um estranho para bater a foto. Além de não custar nada, era bem mais fácil e rápido que um pau-de-selfie.

Uma carta demorava muito mais para chegar ao destinatário do que uma mensagem no WhatsApp hoje. Mas a gente sabia que receberia uma resposta.

O e-mail era uma novidade, e muita gente ainda se comunicava por carta. Havia um modelo econômico, a Carta Social, cujo selo custava apenas 1 centavo!

Toda a família se sentava à mesa para o jantar.

Conversávamos com as pessoas olhando-a nos olhos, e não através de uma tela de celular.

Telefone celular era um artigo de luxo, geralmente utilizado por executivos. Seria quase impossível encontrar um aparelho em uma penitenciária.

Brinquedo de criança era da Estrela, não da Apple.

O único tablete que uma criança poderia ter era de chocolate.

A infância existia.

O mundo ao meu redor também.

MAXX ZENDAG

 

Nascido em Piracicaba, amador nas artes visual e escrita, apaixonado por música.

Autor do livro “A Águia Dos Ventos: O Leão Do Mirante”. Produziu a arte de cartazes para campanhas da Prefeitura de Piracicaba. Sua série fotográfica “É Uma Límgua Portugueza, Concertesa” virou uma exposição (2010/2011) e um livro (2014). Selecionado para a edição de 2014 do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

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